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Gestão do jeitinho brasileiro

Antes de tudo, quero deixar claro que há milhões de pessoas que são brasileiros, mas não levam o estigma do “jeitinho brasileiro” para seu local de trabalho. São pessoas honestas, trabalhadoras e principalmente honram prazos, metas e as normas. Mas há também o tipo brasileiríssimo (em pior estilo) em alguns setores da saúde, principalmente na gestão do negócio.

O pior quando gestores e até diretores, permitem a leniência no trabalho, o atraso nas tarefas e a permissividade no não cumprimento de metas e prazos. Em mais de quinze anos trabalhando com consultoria na área de saúde, percebo uma diferença enorme em relação à indústria. Neste segmento se um gestor não atinge metas de maneira reincidente e sequencial, é promovido ao mercado de trabalho. O colaborador, ou melhor, o indivíduo que não cumpre os prazos de sua tarefa, não cumpre as normas da empresa têm o mesmo destino. Se formos subir a análise, o CEO que não atinge os objetivos do grupo societário recebe o mesmo convite.

A tolerância a leniência dos maus colaboradores é tão prejudicial para a empresa quanto o furto de bens ou de valores. Pois a atitude vai minando o processo de gestão e principalmente tirando cada vez mais a autoridade de diretores e gestores. Há uma contaminação sistêmica do processo, que por vezes, pode ser fatal para a empresa o derradeiro para a imagem do gestor.

Veja bem, ninguém está falando para que todos os gestores e diretores sejam déspotas ou pratiquem assédio moral. Aliás o assédio moral, os rompantes destemperados, os gritos desvanecidos, as exposições do colaborador perante os colegas são práticas comuns de gestores que não possuem mais autoridade e recorrem a força e ameaça como último recurso para colocar as coisas no lugar. Triste decisão.

Mas então o que devemos fazer para eliminar o “jeitinho brasileiro” de deixar tudo para última hora ou “contornar” as normas vigentes?

A solução é extremamente simples. Transparência e Atitude. Seja transparente com os colaboradores. Seja claro quanto ao que deseja e principalmente seja claro com as consequências. Explique de maneira natural o que deseja e espera de cada colaborador e do processo envolvido.

Mas não seja tolerante e nem ingênuo. Registre tudo. O que recomendo? Transparência desde a contratação do colaborador. Seja claro quanto as funções que ele irá desempenhar. Quais serão os desafios. Proporcione treinamento. Registre as tarefas que dependem de prazo e não esqueça de ter evidência do ciente do colaborador em todas as tarefas que demandam prazo e metas. Registre tudo. Se não cumpriu o prazo, registre. Se não cumpriu o prazo novamente, registre. Registre o ciente todas as vezes. E tome atitude que mencionou que tomaria. Tenha autoridade, sob pena de ser desmoralizado.

Não tenha medo da legislação trabalhista. Ela só é ruim para quem não tem processo e não registra as oportunidades de melhoria conferidas e proporcionadas aos “jeitinhos brasileiros”. Portanto, quanto for culpar os problemas do seu negócio, lembre-se que 85% deles são causados pela má gestão e autoridade dos gestores e até diretores em alguns casos.

Célio Luiz Banaszeski
Diretor Executivo – Exacta Consultoria em Gestão da Saúde

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