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Papel do Profissional de Saúde e a Notícia da Morte do Paciente

Hoje quero dividir com vocês uma experiência pessoal. Talvez alguns pensem que este, talvez não fosse o canal adequado, mas como consultor de qualidade atuo também no setor de saúde e não poderia me omitir de transmitir conhecimento e experiência prática.

Recentemente minha mãe faleceu, infelizmente! Para quem já passou por isso sabe o quão forte é a dor da perda e a tristeza que se abate sobre a gente. Digo aos meus próximos, que uma parte importante minha, também morreu!

Mas por que estou dividindo esse triste fato com meus leitores? Por que meu trabalho como consultor têm por parâmetros não seguir apenas os manuais de certificação ou acreditação relacionadas à área da saúde, mas olhar também para o método de gestão e principalmente e acima de tudo,  se a organização de saúde está realmente envolvida no tratamento humanizado do paciente e de seus familiares.

Minha querida mãe teve três AVCs (Acidente Vascular Cerebral). No primeiro não teve sequelas significativas, no segundo paralisou o lado esquerdo e no terceiro, infelizmente a deixou em coma por uma semana, quando infelizmente para nós, DEUS a levou.

Isto tudo aconteceu num prazo de dois meses e foram dias e noites intensas frequentando o hospital, principalmente a UTI, na qual ela passou vários dias. E aqui está um ponto chave deste artigo. Durante as visitas, presenciamos diversas atitudes que para nós como familiares nos fragilizavam muito, nós deixam mais ansiosos e apreensivos. Vou explicar! Numa das visitas à UTI, minha mãe estava com sede e pedi para a Técnica de Enfermagem um copo d’água, mas não pedi apenas uma vez, tive que pedir mais duas vezes até que fosse atendido…apenas um copo d’água para uma idosa acamada! Dá para imaginar a minha impotência e tristeza daquele momento. Eu que recebi o colo de minha mãezinha, não conseguia lhe entregar rapidamente um pequeno e simples copo d’água!!!!

Mas vou deixar estas situações para outro artigo, quero infelizmente ou felizmente, escrever o que ocorreu quando minha mãe faleceu. Na madrugada de um Domingo recebi a ligação da UTI para que eu fosse me despedir de minha mãe! O telefonema mais triste da minha vida!

Mas chegando o mais rápido possível que consegui, não tive oportunidade de estar com ela quando faleceu. O fato já havia ocorrido momentos antes. Apesar já esperar pelo pior, fiquei chocado, triste, arrasado, sem palavras para descrever o que senti e ainda sinto.

Ao chegar no leito da UTI vi minha mãe toda arrumada. As enfermeiras e técnicas que cuidavam dela, haviam arrumado e organizado os equipamentos, o leito estava arrumado, o lençol era limpo, não estava nem amassado, o armário limpo e organizado sem nada em cima. Ao olhar a cena, eu e minha irmã só vimos o que era infelizmente para ser visto, nossa mãe no leito de morte.

Ela estava arrumada. Sem nenhum acesso ou dispositivo médico. Haviam penteado seu cabelo, arrumado sua roupa, haviam limpo seu rosto e a deixaram com sua bíblia sobre o peito. Também colocaram o seu terço que tantas vezes rezou. Mas o mais emocionante, se é que posso escrever assim, foi quando as duas mencionaram que nossa mãe não havia morrido sozinha. Ela era muito, muito religiosa e por causa disso as enfermeiras e técnicas que cuidavam dela, ao perceber que ela estava deixando este mundo,  cantaram uma oração para ela. E assim, com uma oração, DEUS a levou.

Confesso que ao escrever isso estou emocionado, triste e com saudades, mas queria que este tratamento TÃO HUMANO, TÃO SENSÍVEL, TÃO GENTIL, para com minha mãe e comigo e minha irmã, fosse um exemplo para os profissionais de saúde.

Vocês que lidam o dia a dia com a vida e morte tem que entender que o falecimento de uma pessoa é um fato extremamente marcante na vida do familiar. Sei que o dia a dia às vezes os tornam mais frios em alguns casos, sei que isso às vezes é para a própria proteção emocional, mas no momento da  morte do paciente deve estar muito claro, muito evidente a importância de como tudo deve ocorrer.

Num mundo cada vez mais frio e distante, onde trocamos abraços por emoticons de risadas a valorização e o respeito por este momento deve estar sempre em primeiro plano. Não se trata de apenas dar uma notícia triste, mas de se preparar para o ato. Preparar o ambiente, o paciente,  e o que, e como irá dizer.

Não existe receita personalizada, mas algo sempre estará presente em qualquer ser humano que passar por uma situação desta. Tudo que a gente quer nesta hora é humanidade, respeito e um pouco de calor humano. Sentir que não somos máquinas, que estamos aqui por algum motivo, por algum propósito e que na derradeira hora, nós ou nossos entes queridos possam ter um descanso em paz e que a dor da perda seja minimizada pelo amor fraternal.

Afinal todos nós um dia iremos passar por isso, inclusive você profissional de saúde! Pense nisso ao dar uma notícia dessas! Pense o que você queria que te fizesse nesta hora tão triste! Eu agradeço a DEUS por aquelas duas profissionais. Que DEUS as abençoe e que o exemplo delas seja seguido, afinal não precisa de investimento, só de carinho, amor ao próximo e o mínimo de sensibilidade!

A mim, só me resta divulgar cada vez mais a necessidade da humanização no setor de saúde! A mim, junto com a saudade sem fim, resta a missão de tentar fazer um hospital um lugar mais hospitaleiro e fraterno a quem nos deixa para sempre!

Célio Luiz Banaszeski

Diretor Executivo Exacta Consultoria Empresarial

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